se loucos de rua ganharem canetas o mundo saberá das regras todas.
poesia marginal. fotografias poéticas. há marcas nas paredes e o que é meu é seu é nosso assim reflexos
do estranho final
sem sono. febre por transcendência. meus próprios limites me consomem, subjugam a mim, homem-médio, me relegam a uma humilde posição
quando o que espero de mim é muito. a grandeza dos maiores.
e ela, obviamente, intransigente bate-me a porta à cara,
clarice não se considerava uma escritora. por não ser capaz de escrever na hora certa, apenas na hora em que a escrita lhe buscasse, algo como uma inversão de vontades e autonomias – a inspiração invadiu os barraco fez reféns e as negociação tá tensa
mas me pergunto, lhe perguntaria, e este é sim um dos top5 desejos impossíveis miraculosos e algo que certamente me faria gozar pelos poros em silêncio a tomar notas, àquela senhora soturna em seus caracteres de divindade lhe questionaria se, em não escritora, poderia então chamar-lhe artista?
se a arte é livre. liberdade, inerente à arte, seu coração. a pulsar sangue oxigênio nutrientes - lipídios protídeos cálcio ferro fósforo vitamina A
e ao mesmo tempo, ponto fraco
se ferramenta com freqüência mal utilizada a deturpar os espíritos da coisa e expandir definições gerar fetos sem vida e sem luz, resíduos maquinais previsíveis manufaturas, linhas de montagem. leituras desatentas música de elevador tela às paredes do boteco e nada além
e igualmente, me aflige ver em outros dedos tracejados similares aos meus, certamente influências, assim o é porque sou fraco. devia ser capaz de ouvir alguém cantar como o faria e ver nisso beleza, encarar versos alheios emanando por entre vírgulas o cheiro do meu corpo e me sentir super honrado e phyno e hype. e pleno. e certamente blasé. esquema is there life on mars,
(quem ensinou o bowie a piscar?
ele pisca phyno.)
eu devia.
eu devo.
não nego. te pago quando puder
prezada srta. Arte.
e enquanto isso, sim, durmo no sofá, por que não
por que
não
não
não
por
quem
não
pôr?
fragmentar-me em mais que eu.
fazer o que jamais faria, ao ponto do deslumbre,
isto, ou tornar-me esquizofrênico.
porque somos mosaicos.
desenvolvemos primeiro as peças que brilham mais. delas fazemos vitrais, às vezes dá certo, pessoas ganham a vida em seus vitrais de poucas e batidas peças do mosaico e é isso aí para elas. vamô ta repetinu as fórmula que deu certo e tá movimentanu as roda das fortuna e dos sistema e conta corrente e papparazzi e premiére e credicard e vernissage e
ah.
me cansa. kisses call me never more.
estacionar a ver inerte o mundo girar as próprias voltas repetindo aquilo que já rendeu palmas e reconhecimento e micro-glórias no subterrâneo que é meu lar,
muito medo.
se me orgulha o pouco que tenho,
algo. um conforto.
mas nua a alma, lhe digo franco, frágil, rendido:
- quero poder dizer que sim.
se um dia me perguntarem.
cigarro, xícara de café amargo, gestos lentos, sorriso invisível
pedaços de papel.