Yo

..são paulo

letras, insanidade, non-sense. poesia marginal. movimento slow. parques, grama. fotografias poéticas. adoração irrestrita (a quem merecê-la).

(scott weiland ainda é deus.)

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Segunda-feira, Outubro 23, 2006


póstumo correio do suicida corporativo ególatra mimado e pseudo-feliz

parei de pensar
e parei de me distrair
à vida
às tarefas
ao trabalho
ao trabalho
ao trabalho
eu parei de demonstrar emoções,
amor?
amor é para os que têm tempo.
eu parei de pensar
e parei de pensar em nós dois,
parei de pensar. nós.
dois.
(eu sou eu, eu sou meu)
parei de cogitar estar errado
e parei com as frases belas e sentimentais a alegrar mortais,
sentimentalismos são pra quem tem tempo.
eu parei de pensar
e parei de sentir
e não dei mais nem uma chance a você, teu coração, tua vida o teu sangue
paixão?
deixei de me importar com cicatrizes e lágrimas há tempos, babe...


eu parei de pensar e de sentir e de amar e bem-dizer e suspirar e pôr-do-sol,
só não parei de digitar...


eu me tornei uma porra de um monstro


eu me tornei
pequeno
e
vulgar



eu me tornei
VOCÊ
.

rafael 03:11pm



blow the dust outta me


 

Quinta-feira, Outubro 05, 2006


quando ouço The Globe Sessions, tudo parece certo.
tudo acabará bem.





Sheryl Crow sempre me fascinou. senão por ser tristemente linda, também porque foi backvocal de Michael Jackson e dos Rolling Stones antes de estourar para o mundo. também porque mulheres roqueiras são algo do que há de melhor nesta dimensão. também porque a moça é caipira, y me gusta. ademais porque além de cantar demônios, Sheryl Crow grava vários dos instrumentos em seus discos - baixo, violão, guitarra, piano, marimbas e percussões bizarras. também porque é fã declarada de Guns N Roses e de Axl, e amiga pessoal de Scott Weiland que, por sua vez, é Deus - tocou sanfona - sim, sanfona - na música Lady Your Roof Brings Me Down, do CD solo do moço

finalmente, e não menos importante, porque regravou sweet child o´mine e, surpresa!, ficou bom. o suficiente.
(em sendo o maior pop-hard-rock de toda a história)




The Globe Sessions foi lançado em 1998 e se trata do terceiro disco de Sheryl Crow. não sei do seu histórico metade do que deveria para uma review decente, mas hey, não ganho pra isso! e críticos musicais são usualmente frustrados e amargos. o disco me cheira à dor do break-up, solidão, desespero, intoxicação e mais um pouco de solidão, tudo com algum otimismo niilista, se é que isso é possível

se for possível o otimismo niilista, se fez presente em The Globe Sessions.



mantendo a histórica parceria de composição com Jeff Trott, trancados no seu Globe Recording Studios, em Nova Iorque, Sheryl desistiu das canções majoritariamente narrativas de seus dois primeiros discos e partiu para a primeira pessoa. jamais se fez passar por super-herói e admitiu publicamente que os sucessivos atrasos no lançamento do álbum se deviam à sua imensa dificuldade em lidar com as letras autobiográficas. engoliu em seco e entregou ao mundo as seguintes 14,5 canções:

- my favourite mistake; rumores de que o som seria sobre eric clapton ou jakob dylan foram pequenos e ignoráveis detalhes face à magnitude do sentimento ali descrito. porque certas pessoas são erros crassos. e ainda assim insistimos. quando você se for, mal sabes, será o final perfeito para o dia ruim que me acostumei a viver...quando você se vai tudo o que eu sei é que és meu erro favorito

- there goes the neighbourhood; retrato do vazio de Hollywood em um blues psicodélico com um dos versos mais legais que já ouvi alguém cantar, we can´t be certain who the villains are ´cause everyone´s so pretty.

- riverwide / don´t bail on me; a culpa não foi só minha, seu verme!!!! não foi.

- it don´t hurt; (like it did, I can sing my song again) singelas canções sobre o aprender a se levantar depois da queda

- maybe that´s something; porque erros favoritos são notórios em fazer viver otimismos suicidas. porque eu tentei e tento e tento mas fazer milagres é foda quando a maioria das pessoas desiste antes que eles aconteçam

- am I getting through; esta música é sobre acordar e sofrer e refletir, se ver diante da encruzilhada, a maioria dos nossos sofrimentos são conhecidos e previsíveis, porém inevitáveis porque a vontade sentimental humana na maior parte das vezes em nada se comunica com o cérebro. o ambíguo que existe em querer aquilo que não te quer, não te pertence, mostrar desejo ou mostrar indiferença? chorar ou sorrir em desespero? não ligar ou sangrar até morrer, na sua frente, na sua frente....jesus me ama e eu sei, mama me disse.... jamais sabemos se estamos nos curando da dor do amor, a ferida não provoca pus ou casca. estarei eu superando? este som termina e volta num rock n roll incandescente e absurdo!, violõezinhos singelos tornando-se guitarras em chamas, vontade de pular da cadeira, vontade de entrar na mente de uma mulher por uma simples noite triste - só pra ver do que se trata..

- anything but down; folk blues meio pop rock, te trago flores e cigarros e tudo o que você mais quer, você não me traz nada a não ser me trazer pra baixo...

- the difficult kind; a letra é perfeita e inclusive já mostrou as caras neste blog. são tantas cicatrizes nas almas menos sortudas a desfilar pelo planeta que facilmente se confudem personalidades difíceis com aquelas que apenas já se machucaram demais para se dar ao luxo de arriscar de novo o lindo jogo do quebrar-a-cara

- mississipi; retrato folk das origens da moça...uma das duas menos geniais do disco

- members only; a outra das menos geniais do disco, porém ainda interessante. retrato da hipocrisia em hollywood, a pretensão dos que se clamam VIP, os resquícios de poder nos anos 80 inconformados com seu papel secundário na nova burguesia californiana

- crash and burn; ponto alto do disco. esta música resume em seus 11:26 o sentimento reiterado em todo o álbum. como não pensar em fugir metido em um carro levando apenas e tão somente o violão mais simples através de highways infinitas quando o coração já ficou em pedaços nos bolsos de alguém? apenas acelerar e bater e queimar e foda-se tudo o mais, i´m on my way to crash and burn. possui escondida em seu final a canção subway ride, que supostamente trata do impeachment de bill clinton. a música termina e volta, assim como terminamos no esgoto e voltamos, voltamos, voltamos...voltamos ainda que tenha que ser nova a vida, de volta ainda que ressuscitados

- ressuscitation; esta canção apareceu primeiro somente nas edições australianas, e depois foi incluída nas tiragens oficiais do disco. música linda e positiva sobre retornar das chamas. porque Sheryl Crow é too much of a dignified lady pra terminar um disco triste com uma canção de desespero. ainda que sangrando. ainda que. (há uma versão deste som com outra letra, que se chama straight to the moon, e aparece num dos últimos discos lançados por ela, um álbum duplo com raridades e jamais-lançadas, vale muito a audição)

- sweet child o´mine; aparece apenas nas tiragens japonesas do álbum, e valeu a existência da moça. senão somente pela qualidade da versão, então pela ousadia. gravar um cover é sempre algo tenso; gravar um cover recente (sweet child tinha apenas 10 anos) é perigosíssimo; gravar um cover do primeiro pop hit de uma banda de los angeles que todo o mundo ama mas morre de vergonha de admitir, wow...a moça chutou a santa e ligou o foda-se. há que se ouvir com curiosidade e uma certa complacência...músicas como sweet child o´mine dificilmente cabem em covers. principalmente quando, de maneira altamente herege, estes ousem modificar o feeling e o toque sentimental e o ritmo ou a harmonia da canção original e, pasmem, os pronomes de femininos para masculinos. seria o mesmo que regravarem stairway to heaven ou smoke on the water ou born to be wild sob a égide de voz e dedos alma e pontos de vista de uma mulher. a crítica condenou, mas a crítica é burra. a crítica relegou ao plano da cópia o Guns N Roses, a crítica maldisse os cinco primeiros discos do Led Zeppelin, a crítica comparou Stone Temple Pilots a uma cópia ruim de Pearl Jam, a crítica musical é surda e burra.





tristeza fina.
solidão não mata.
a música salva a mais perdida das almas,




um viva ao som de voz que me faz ter vontade de continuar vivendo - já salvaste minha vida mais de uma vez e mal sabes...



rafael 04:23pm



blow me