porque às vezes temos que sair de nós mesmos pra nos conhecermos de fato.
não sabia, claro que não, em nada morava na filosofia
apenas queria ser astronauta e ponto.
nada pode ser mais epifaníaco-carpe-diem do que deixar o planeta...
dar uma olhada.
ver o que pega. somente parar e observar. e voltar.
sair de si de todos de tudo
e voltar
como será voltar do espaço?
ver isso tudo inteiro de fora, azul, e voltar?
pegar a marginal tietê tomar farol alto a 100 por hora ser cobrado pelo chefe esperar na fila do Itaú pra pagar a conta do celular ligar pra Telefônica e mandar a atendente à merda 17 vezes seguidas até que ela possa tá chamanu a supervisora tá pra tá corriginu a sua conta do sinhor que veio com a mais tá
chamar ela pra jantar fora
e ter que pedir comida chinesa...
assistir sozinho aquele hitchcock psicopático
fumar sozinho e dar risada sozinho e adormecer sozinho e acordar atrasado e não ter condução pro trabalho
imagine voltar
pro mundo real?
quem disse que há que se estar fora de si para mostrar-se absolutamente genuíno foi Gláuber Rocha cineasta, brasileiro, filmou Terra em Transe na década de 60 em preto e branco psicodélico e se me lembro bem, foi perseguido e censurado pela ditadura, afinal, onde já se viu
a verdade do mundo está alí. ainda que pareça um non-sense dos mais absurdos e proibidos. está alí e repousa em paz.
paz que não temos
e não teremos
porque não contemplamos nada.
não há tempo para a contemplação porque não há tempo para nada. temos eterna pressa em terminarmos nossas tarefas.
para estarmos finalmente livres.
para iniciarmos logo as tarefas de amanhã
( - e o que é contemplação? diria a moça no tailleur rosa-choque over-maquiagem que atravessa a avenida em catwalk e num discreto coque-seja-você-mesma-uma-empresária-mirim-de-sucesso)
diz bem sobre isso um tal Carl Honoré, escocês subversivo e não obstante altamente capitalista que de repente surtou que estava correndo demais e aderiu ao movimento slow, e fez um livro sobre isso
mas eu ainda não terminei o livro sobre isso
(estou contemplando o livro sobre isso. absurdo seria correr pra terminar um livro chamado Devagar, não?!
rá rá rá)
e eu preciso saber do que eu falo.
todos deviam saber do que falam.
é mais do que um dever
um direito de cada ser vivo
amaldiçoado
pela consciência
de vida
,
é um direito de que não se pode abrir mão.
exatamente por isso, todos deviam contemplar.
parar às vezes. simplesmente não fazer nada, apenas olhar, sentir, tocar
isso não é sequer hippie
isso é altamente anos-80.
só que parar é difícil demais...
agora mesmo, pra parar você teria que - no mínimo - fazer uma coisa só ao mesmo tempo
ao menos no computador........................
mas a verdade é que se ele pisca em falso você se irrita. e clica 37 vezes no mesmo link. e manda os nerds malditos tomarem no meio do CU, e depois de novo, e depois joga o mouse no móvel e faz uma careta e algum barulho gutural e olha na porra do relógio pra ver se já é hora de voltar a fazer coisas com pressa, ou se ainda há tempo para relaxar
não sabia porque
e agora sei
(revelador.)
eu queria ser astronauta pra tentar pegar a terra desprevenida
em transe.
e na verdade, quase sempre é porra nenhuma. nada palpável.
e a verdade é que eu cismei de cantar músicas antigas hoje
e nada pode ser tão mais errado do que isso.
reviver sentimentos à duras custas enterrados no quintal da alma!
e agora,
e agora há cadáveres expostos na sala de jantar.
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ele aparentava quilos de menos e se parecia demais com a nicotina em pessoa e seu maxilar provavelmente terminava muito além do fio-bigode,
certo que fumara pelos últimos 45 anos
algo como Derby ou Campeão ou fumo-do-saci logo de uma vez, por que não?
o homem era a própria fumaça.
o pó.
só o pó o senhor de barbas envermelhecidas metido num terno cinza-xadrez felpado a cruzar suando a praça João Mendes às quatro e vinte da tarde em direção ao Fórum,
- Senhor Juiz, eu quero fodê-lo.por trás. eu quero fodê-lo como a uma menininha escrava no interior de Roraima, e o que eu espero de Vossa Excelência é que grite e me mande lhe surrar as nádegas como a uma provençal carnavalesca fora de si
eu acordei no exato momento em que o homem entrava na sala e se dirigia ao Juiz
,sim, sim!, o pânico, terrível, foi terrível, angustiante!, fora aquilo um sonho?
uma alucinação?
estarei eu tão chapado que...
- Senhor Juiz, eu quero fodê-lo. por trás.
"santo deus." pronunciado em mérvio-arcaico. e foi isso o que eu ví com esses olhos. se foi.
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não que valha alguma coisa tá, eu sei que agora eu não tô nas melhor tá, eu sei, mas ói, eu fui Miss Verão Caminhoneiro da minha cidadezinha natal tá, lá pelos quando eu tinha uns lá pelos deizessiete né, e eu podia tá desfilando, o moço sabe, de longe ninguém nem arrepara na perna só tá, comtodacerteza!pelavirgemmaria moço que sim nóssinhora!, ai o moço. tá. ou se for pra mais a melhor do moço eu posso só recrutá as minina, qui de carne mansa i avirginhada ái sinhora aqui entende e muito, viu seu moço?! ponhá pras cabeça dos minino gastá os trocado seu moço, ói!
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i didn't mean to hurt you
i'm sorry that i made you cry
i didn't want to hurt you...
i'm just a jealous guy.
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se eu soubesse brincar de bola
e soubesse brincar de corda
e soubesse brincar de médico
eu certamente não iria pensar em brincar de briga.
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e se eu fosse o saddam, punha na FOX e assistia Os Simpsons.
(e vestia um bonezinho dos yankees e um broche do partido republicano e comia um pretzel e punha rage against na vitrola
que se é pra avacalhar
avacalhamoermo-nos propriamente. e neologistas!)
meu nome é robson da cruz e aqui ei de descansar em paz, solamente una pobre alma infantil e enganado por seu alter ego, sim porque alter egos acham bonito o amor blasé decadentista sofreguidento cheirando idéias brilhantes porém desconexas de tudo e de todos conectadas a absolutamente porra nenhuma. idéias bastardas tão unique quanto bichinhos em volta de uma lâmpada quente antes da chuva de verão...é fácil ter conclusões brilhantes. é fácil pra mim, foi fácil pra ela, pra nós dois, ah!, pra nós dois era até covardia......covardia. mas sabe-se bem que ela não precisa de mim, faz questão de mostrar em cada gesto, a cada chance que lhe dá a existência ela me mostra, exatamente ao não mostrar-se em nada afetada ou envolvida, mostra o quanto ela se fode e o quanto eu me fodo, muito me fodo.....muito me fodo porém sinto, porém vivo. pouco se fode? catacumba. quem vale mais? quem perde mais? quem ganha alguma coisa? alguém ganha alguma coisa? as coisas simplesmente chegam a um fim um dia, como um parágrafo mal pontuado tem que ter fim, claro que tem, assim o têm também os amores-perfeitos da crackolândia pseudo-sessentista (quando na verdade somos todos yuppiezinhos de merda pulando de pogoball e vestindo le cheval e fugindo da dor com farsas, brilhos de neon, meio-avenida meia-arrastão, quanta ilusão....quanta), pau no cu da paz e do amor, eu quero sangue. porque o meu amor sangra. me diz logo que não me ama, me diz que passou como passara a febre, como passarão as primaveras como passariam os dias a se tornar banais, me diz logo que ele existe e beija melhor e fode melhor e canta melhor e até que pendura o marlboro tão melhor que eu nos lábios, diz, diz e acaba com isso, é tão mais fácil, tão mais fácil que foder toda a beleza de uma bossa em uma merda de um samba ruim do pé, que isso não se faz nem a um perro, homem que é homem não nega o amor que lhe quer bem, tão belo disse vinicius, e o toquinho, tenho certeza, o toquinho fez back vocal, fez sim, belos eram eles, belos eram eles que amavam uma vez só (por semana)